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Tecnologia é boa, mas...
Walmir Rosário

Crédito: Divulgação

Confesso que sou aficionado por tecnologia de modo geral, principalmente da informática, teoricamente um arsenal de ferramentas para facilitar a vida do homem moderno. Entretanto, temos que tomar todos os cuidados para não complicarmos nossas vidas com os usos e costume que nós impõem essas modernidades.

Pra começo de conversa, sempre é salutar o uso dessas invenções que nos abastece de informação, que nem sempre são verdadeiras: a tal da internet, conhecida como terra de ninguém. Está tudo lá, de parto de formiga a conserto de aviões em pleno voo, passando pelos filósofos antigos e modernos, diagnósticos de doenças variadas e medicamentos para deixar o leitor tinindo.

Olhe sempre com desconfiança de tanta bondade, pois como diz o velho ditado, quando a esmola é grande o mendigo desconfia. É preciso filtrar todas as informações, o que nem sempre é possível, pois os créditos nem sempre são merecedores de confiança, apesar da beleza do discurso. Engana mais do que propagandista de feira vendendo remédio de raízes para todas as doenças.

E na internet se sabe de tudo, ou melhor, sabem tudo de você. Basta ligar o computador ou smartfone para que apareçam propagandas de produtos que você sonhou comprar. Como fazem isso ainda não sei, mas confesso que funciona e se o cabra tiver a cabeça fraca cai no conto do vigário, melhor dizendo, do internauta.

Dia desses pensei em verificar o preço das passagens aéreas e no dia seguinte recebi uma enxurrada de propostas para voar pelo mundo inteiro aos mais variados preços. Resolvi, então, fazer uma busca para um destino possível de minhas possibilidades, a preços módicos, claro, mas não conseguia. Refiz o roteiro até chegar a bom termo e, contente e satisfeito, emiti as passagens.

Para minha surpresa, no dia seguinte, em todo o site que visitava, olha lá a minha vontade inicial a preços acessíveis, conforme o planejamento inicial. Até que tentei trocar, mas não consegui. Teria que pagar três vezes mais para que meu desejo fosse atendido, mesmo com dois meses de antecedência, tempo que eu pensava que não causaria problemas à companhia aérea.

Diante do impasse, resolvi manter meu roteiro acertado anteriormente, para não causar constrangimentos ao planejamento da empresa dona do avião e nem aos meus parcos recursos. Eu desisti, menos a companhia, que fica me mandando notícias sobre o voo objeto do meu desejo. Fico em dúvida se eles querem facilitar minha vida ou tomar o dinheiro que não tenho.

Agora, constrangido mesmo fiquei numa manhã dessas ao conferir meus e-mails recebidos, pois esperava algumas notícias importantes sobre a chegada de uns livros e outras encomendas. Das empresas que comercializei nem uma linha, porém lá estavam três propostas de medicamentos para aumentar a potencia sexual, dentre outras fantasias delirantes.

Logo eu, que sempre fui uma pessoa recatada e não ando por aí espalhando notícias – verdadeiras ou não – das minhas intimidades, achei muito estranho o que esses vendedores me ofereciam. A mim causou estranheza esse tipo de comércio inovador, mas como esse pessoal do marketing inventam tantas estratégias mercadológicas, busquei no Google quem seria o pai dessa inovação.

Confesso que não encontrei esse Philip Kotler da vida, em compensação, fiquei estarrecido com algumas informações que me chegou aos olhos a respeito do comércio na internet. Enquanto uns chamam esses anunciantes de remédios milagrosos de espertalhões que se utilizam da fraqueza alheia para ganhar dinheiro desonesto, outros dizem que são pessoas de má-fé que usam esse expediente para aplicar golpes financeiros: são os achacadores.

O que me encantou dias desses foram as generosas ofertas de diversos grandes bancos, preocupados com problemas em minha conta e nos cartões de crédito. Com receio que eu ficasse sem dinheiro ou não passasse constrangimentos ao tentar fazer alguma compra com o cartão, pediam com toda a presteza que eu fornecesse as senhas para serem retificadas.

Me senti tão prestigiado que na hora fiquei com raiva de mim mesmo por não lembrar os números e letras das senhas para informar aos zelosos banqueiros, até que me dei conta que não era correntista desses estabelecimentos. Como diz o ditado (olha ele de novo...): um bom pedir faz um bom dar, daí minha preocupação em atendê-los com presteza.

Só depois tomei conhecimento de que essas ofertas todas eram coisas de crackers e hackers indivíduos com habilidades e conhecimento em informática para entrar em programas e computadores. Dizem que a diferença está no uso que fazem na invasão: se é de forma desonesta – crackers; se para obter segurança – hackers.

No meu caso, tive até pena dos caras, que tentavam levar o que eu não possuía. Mesmo assim, aconselho aos colegas internautas que evitem se aventurar nessas terras estranhas, pois podem ser “depenados” caso recursos possuam em suas polpudas contas. Já ia me esquecendo que outras pessoas praticam golpes na internet apenas para roubar a propriedade intelectual.

Esses últimos são mais perigosos.

O autor Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado


Walmir Rosário

Crédito: Divulgação

 
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