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Ariel Figueroa
“Eu sou filha de gente humilde. Minha mãe tinha um gosto apuradíssimo. Meu pai também. E tinham uma pequena estante. Eu sempre digo que foram intelectuais frustrados por falta de condições financeiras, de ambiente, de tudo.“
Zélia Gattai
Zélia, a Gattai, a esposa de Jorge, a Amado, a escritora, a anarquista, a politizada, a acadêmica, a mãe, a mulher que andou a frente do seu tempo, a que já esta sendo esquecida. Fez dia 17 deste Maio de 2009, um ano do seu desaparecimento carnal deste mundo. Ficou anos a sombra do marido famoso, iniciando sua carreira literária aos 63 anos.No dia 2 de Julho (já acalentando sua união com a Bahia) de 1916 nasce Zélia, em 1936 casa-se em São Paulo com o militante comunista, Aldo Veiga, a 15 de Junho. Casamento que lhe proporcionou travar amizade com renomados intelectuais, como: Oswald de Andrade, Tarsila de Amaral, Mário de Andrade, Letícia e Carlos Lacerda, Vinicius de Moraes e outtros mais. Seu pai, Ernesto Gattai, é preso acusado de militante comunista. Irá falecer em 1940. Luiz Carlos seu primeiro filho nasce dia 12 de Agosto de 1942, em São Paulo. Em 1945 separa-se de Aldo Veiga, nesse mesmo ano é apresentada a Jorge Amado pelo Barão de Itararé.
Dia 25 de Novembro de 1947 nasce João Jorge, no Rio de Janeiro. Em 1948 por contingências políticas muda-se para a Europa, ondetem a oportunidade de se formar na Sorbonne. Na estada europeia trava amizade com intelectuais do gabarito de Pablo Neruda, Picasso, Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e muitos outros. Em 19 de Agosto de 1951 nasce a filha Paloma, na Tchecoslováquia. Em 1963 fixa residência em Salvador, na famosa casa do Rio Vermelho. Em 1978 oficializa sua união com Jorge após 33 anos em comum, iriam ser 56 no final.
Incentivada por Jorge e a filha Paloma, publica seu primeiro livro de memórias: Anarquistas Graças a Deus. Em 1982 lança o segundo: Um chapéu para viagem. O terceiro livro de memórias, Senhora Dona do Baile, é publicado em 1984. Reportagem Incompleta é publicado em 1987. Jardim de inverno é de 1988. Estreia no mundo da ficção com Pipistrelo das Mil Cores, livro infantil com ilustrações de Pink Wainer. Eleita Mulher do Ano de 1989, pelo Conselho Nacional da Mulher. O livro infantil, O Segredo da Rua 18 publica no ano de 1991. 1992 ano da publicação do Chão de meninos. O primeiro romance, Crónica de uma namorada,lança em 1995.
No mesmo ano é homenageada junto a Jorge por sua filha Paloma, a qual lança o ABC dos 50 anos de Amor de Zélia e Jorge. De 1999 é o livro de memórias: A Casa do Rio Vermelho, após este ainda publica, Cittá di Roma, Um Baiano Romântico e Sensual e Códigos de Família.
Depois de reler a vida desta notável mulher, e só destaquei uma parte da vida e obra de Zélia, muito ficou para os intelectuais escrever. Nada vi na imprensa, o Site da Fundação Jorge Amado, nem sequer indica a morte da escritora, completamente desatualizado. Uma pena. Uma ingratidão.
Nestas pobres letras vão nossa singela e simples homenagem a mulher de fibra, a lutadora, a mãe, a mulher.
“Continuo achando graça nas coisas, gostando cada vez mais das pessoas, curiosa sobre tudo, imune ao vinagre, as amarguras, aos rancores.”
O autor é consultor em Turismo
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