Entrevistas Borges conosco enfraquece ainda mais os nossos adversários, diz Caetano
Luíz Caetano solta o verbo
Crédito: JBO
Prefeito de uma das mais importantes cidades da Bahia – Camaçari -, Luiz Caetano é coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do Partido dos Trabalhadores e é um dos nomes que atuarão decisivamente na construção da reeleição do governador Jaques Wagner. Nesta entrevista exclusiva concedida ao Jornal Bahia Online, Caetano fala sobre a eleição na Bahia e dispara contra os adversários de Wagner. Diz que Paulo Souto é o melhor adversário porque vai se perder quando seu governo for comparado ao de Wagner. E sobre o ministro Geddel Vieira Lima é ainda mais ácido: “Geddel pedala, pedala, pedala e cai nas pesquisas. É ministro por que foi levado ao presidente Lula pelo governador Wagner”
Luiz Caetano é pragmático quando fala da quase fechada aliança com o senador César Borges, do PR. Tentou responder, lançando uma pergunta ao repórter do Jornal Bahia Online: “Se fosse você o governador, você também não traria César Borges para o seu lado para enfraquecer o seu adversário?” Para o prefeito de Camaçari, o que vale nesta relação é que César Borges está tendo uma atitude de autocrítica com relação ao passado e o Wagner tem uma atitude de estadista ao abrir os braços para recebê-lo.
A entrevista está imperdível.
O que diferencia o governo de Jaques Wagner dos governos carlistas, de um grupo que dominou a Bahia durante décadas?
Tenho mais de 30 anos de política institucional. Fui político estudantil, ajudei a construir a UNE (União Nacional dos Estudantes), fui presidente de Diretório Acadêmico, do DCE, vereador e prefeito de Camaçari e estou cumprindo meu terceiro mandato e fui deputado estadual. E tenho que dizer a você que nunca vi nem participei de um processo tão fantástico e inovador como o que participo agora. Wagner tem três anos que é governador. Ele inovou. Fui deputado estadual quando Paulo Souto era governador. Eu não tinha direito a senha para fiscalizar o governo. Reivindiquei a senha junto com outros companheiros do PT e nunca tivemos este direito. Hoje a Bahia é diferente. Nestes 30 anos não vi um governador que fosse para o interior da Bahia. Normalmente os governos baianos se encastelavam em Ondina e no Centro Administrativo e alguns municípios pólo – como Camaçari, Ilhéus, Conquista e Juzeiro -, mas não iam ao interior baiano. Wagner interiorizou o governo e foi para o grande conjunto dos municípios baianos. Wagner já visitou mais de 300 municípios. E isso faz a diferença.
Wagner então é diferente.
Sim. Passou a prestigiar o interior, a liderança local, o prefeito, o vereador, o presidente da associação e do sindicato. Deu uma nova personalidade política ao interior. Fortaleceu a quem faz política em Ilhéus, Itabuna, em Irecê, em Central, enfim, em todo o interior. Até o final do governo ele vai aos 417 municípios e tem obra hoje em todos independente de quem seja o prefeito e de que partido seja. E esta é a grande obra do Wagner. Além disso, estamos construindo uma nova Bahia com uma nova filosofia e um novo conceito de governar, com um governo republicano, democrático e participativo. Por isso entendo que o povo baiano vai consolidar a reeleição de Wagner por que ele faz parte do projeto do Lula, da Dilma (Roussef) e de todos nós.
“Wagner interiorizou o governo e foi para o grande conjunto dos municípios baianos. Já visitou mais de 300 municípios. E isso faz a diferença.”
Qual o tamanho da ferida existente entre o PT e o PMDB da Bahia?
Essa ferida não foi provocada por nós. A pedido do próprio Wagner, fui a Brasília e disse pro Geddel uns dois meses antes de ele romper que não fizesse isso. Disse a ele: Wagner se juntou a você, fez uma frente e foi tão forte esta frente que ganhamos a eleição no primeiro turno. A vitória foi tão impactatante que Wagner foi com você para Brasília e emplacou você em um ministério forte. Disse a ele: você ficou forte no governo federal. Qual era a dele? Ajudar a Wagner a consolidar a transição do carlismo para a democracia e Geddel resolveu tensionar com Wagner e com o governo. Ele está cometendo um equívoco. Geddel é um político jovem, que tem um futuro pela frente, mas está errando, puxando a corda pra trás. Ele não entendeu, foi pra um outro caminho e criou um caminho sem volta. Ele apostou que o governo Wagner afundaria e quebrou a cara.
O senhor quer dizer que o emprego de ministro, Geddel deve ao governador Jaques Wagner?
Claro! Não tenho dúvida. Geddel só passou a ser ministro depois da vitória impactante de Wagner. O governador pegou Geddel pelo braço e foi a Brasília. O PMDB tensionou para ter o ministério, mas sai da Bahia com uma vitoria fantástica... Vamos voltar um pouco no tempo: quando Lula deu a primeira coletiva a imprensa depois de reeleito quem estava lá ao lado dele? Do lado esquerdo dele? Jaques Wagner. A maior vitória do Brasil. Por isso que te digo: Wagner contribuiu muito para colocar Geddel onde ele está.
Geddel está errando, puxando a corda pra trás. Ele não entendeu, foi pra um outro caminho e criou um caminho sem volta. Ele apostou que o governo Wagner afundaria e quebrou a cara.
Mas se é assim, porque depois que Geddel rompeu com o grupo de Wagner ele não perdeu o cargo?
Por que dentro do processo da construção da Nova República do Brasil, Lula foi conciliado com o PMDB, buscando cada vez mais consolidar esta aliança e manteve Geddel em função do acordo com o PMDB. Mas ao chegar lá, ele chegou com a mão de Wagner.
Essa aliança com César Borges que o governador está construindo é da vontade do PT? Por que as vaias ao senador durante a visita que ele fez ao lado de Wagner ao sul da Bahia?
Geddel também foi vaiado em Itabuna. Observe o que aconteceu em Salvador. João Henrique desgastado no PMDB, puxou a aliança com o centro, com o próprio César Borges e outras forças políticas, e ganhou a eleição para nós. Então pra mim é claro. Estamos acertando quando dividimos a oposição, enfraquecemos ela, criamos dentro da oposição um espaço para destruí-la. O Wagner está certo quando constrói uma frente ampla para derrotar tanto Geddel quanto Paulo Souto. Nós temos que dar uma porrada na oposição, desarticulá-la e construir uma frente nova para ganhar as eleições no primeiro turno. Eu acho que Wagner está certo quando traz o César Borges, o Otto Alencar. Está sendo competente em construir uma aliança que vai ajudar a consolidar o nosso projeto na Bahia. Wagner não está abrindo mão nem dos seus princípios e nem do seu programa de governo. Quem quiser vir, vem. Sabendo que é este o governo, de fazer mais para quem mais precisa. Portanto, César Borges está participando deste projeto. Não somos nós que estamos participando do projeto de César Borges.
Mas não deixa de ser uma mistura entre água e óleo. Ou não? É tudo uma coisa só?
Geraldinho (Geraldo Simões) às vezes fica meio estressado por causa das relações internas do governo. Mas é um grande político e um grande companheiro. Ele sabe que dentro da política sempre se busca ampliar as alianças. Geraldo é um aliancista como eu sou. Todo mundo que foi prefeito, governador ou presidente sabe da importância que tem em você de unir as pessoas. Eleição não é igual à reeleição. Na reeleição você tem que ampliar e consolidar o seu projeto, por que nela o que está em jogo é o seu projeto. Quem está sendo julgado é o seu projeto. Se você for competente e acertar na comunicação, na gestão e na articulação política, você tem sucesso. Wagner está acertando nos três.
“Nós temos que dar uma porrada na oposição, desarticulá-la e construir uma frente nova para ganhar as eleições no primeiro turno. Eu acho que Wagner está certo quando traz o César Borges, o Otto Alencar.”
E caminha corretamente pelos três?
Wagner é um grande líder que abre os braços para todas as forças e consegue articular uma frente poderosa para ganhar as eleições no primeiro turno. Os nossos adversários estão preocupados com isso. Tanto que Geddel queria Borges com ele, Paulo Souto quer César Borges com ele e Wagner está trazendo ele para cá. É bom para Geddel? E por que não é bom para Wagner? Se fosse você o governador (perguntou ao repórter) você também não traria César Borges para ser do seu lado para enfraquecer o seu adversário? Por isso tenho certeza de que Wagner está acertando...
Bem, me colocando no lugar de governador eu refletiria muito se fosse considerar o histórico da relação...
... ah! Ele rompeu com o carlismo (enfático). Está vindo pro lado de cá. Repito: não estamos subindo no palanque dele. É ele quem está subindo no nosso palanque. O César Borges está tendo uma atitude de autocrítica com relação ao passado e o Wagner tem uma atitude de estadista ao abrir os braços para recebê-lo.
O principal adversário do governador tem dito que o Estado está sem comando.
Sem comando o estado esteve quando ele foi governador. Vou te dar um dado: Souto governador, os policiais não recebiam nem ticket refeição. Wagner assumiu, os policiais passaram a receber. E isso representa dois milhões de reais por ano. No governo Paulo Souto as estatísticas ficavam debaixo do tapete. No governo Wagner, as estatísticas são abertas. No governo Paulo Souto, fui deputado sem direito a senha para fiscalizá-lo. Wagner abre a senha para que todos possam acessar as contas do estado. Nós estamos fazendo Topa, Água para Todos, na Segurança Pública: mais de 1.200 viaturas novas e 6 mil policiais. Nós estamos transformando a Bahia. Mas temos só três anos.
“O César Borges está tendo uma atitude de autocrítica com relação ao passado e o Wagner tem uma atitude de estadista ao abrir os braços para recebê-lo.”
Qual o adversário preferido do governador Wagner?
Paulo Souto é o melhor candidato de oposição para nós, por que iremos fazer comparações e ganhar em todos os setores para ele. Paulo Souto não tem moral nenhuma para dizer nada da Bahia. Ele fez um governo ruim, enfraquecido, de crise permanente. O que ele tinha sob controle eram as estatísticas embaixo do tapete.
Mas foram justamente os policiais, que o senhor dá uma noção de que estariam satisfeitos, que vaiaram o governador durante a visita ao sul da Bahia.
Normal. Num governo democrático quando você consegue alguma reivindicação e quando você consegue crescer, você também faz crescer a sua consciência.
Defina em poucas palavras, o perfil dos três principais candidatos ao governo da Bahia.
Paulo Souto não consegue emplacar e pode até não ser candidato aqui na Bahia. Geddel pedala, pedala, pedala e cai nas pesquisas. Wagner está fazendo um projeto de transformação da Bahia.
“Paulo Souto não tem moral nenhuma para dizer nada da Bahia. Ele fez um governo ruim, enfraquecido, de crise permanente. O que ele tinha sob controle eram as estatísticas embaixo do tapete.”
No caso de Wagner, qual deverá ser o norte da campanha em 2010?
A campanha deve se pautar no desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Temos que montar um programa de governo que respeite a cultura e a economia regional. Ou seja: cada região deste estado deve aproveitar esta oportunidade, se reunir com todos os partidos, forças políticas e instituições e sugerir a Wagner um programa de governo que tenha o desenvolvimento regional lincado ao macro desenvolvimento. Que a macro economia determine como deve ser o desenvolvimento de Ilhéus, por exemplo. Estou fazendo este trabalho em todo o estado. No sentido de que a gente possa discutir e fomentar a consciência regional de que todos possam entregar ao governador sugestões de desenvolvimento regional.
Há tempo para se mudar, inclusive, um comportamento como este?
Claro que temos tempo. Faltam sete meses para as eleições. Vamos aproveitar o momento da democracia, de ter um governador e um presidente estadista para fomentar este tipo de discussão. O que Ilhéus e região acham do seu desenvolvimento econômico e social? Ilhéus deve botar isso numa carta, num documento, e entregar ao governador como deve fazer as 20 e tantas regiões do estado e dizer ao governador o que nós queremos estar participando deste processo e escolhendo o que é melhor para a nossa região.