Início   I   Quem Somos     I    Nossa Equipe    I    Anuncie    I    Fale Conosco
 
 
Notícias
 
Tempero do Bahia
 
Exclusivo
 
Editorial
 
Meio Ambiente
 
A foto que é fato
 
Entrevistas
 
Cultura
 
Política
 
Bahia
 
Cidades
 
Economia
 
Esporte
 

Últimas Notícias

Artigos
Leonardo Pinheiro
Daniela Galdino
Leonardo Pinheiro
Adylson Machado
Leonardo Pinheiro

Expediente
Fale Conosco
Equipe
Como anunciar


Entrevistas
Sou do bônus e do ônus. Vou até o fim com Geddel, diz deputado Veloso


Raymundo Veloso

Crédito: Ascom

 

Aos 71 anos, o deputado federal Raymundo Veloso (PMDB) representa o sul da Bahia na Câmara Federal e se prepara para a reeleição demonstrando muita tranquilidade quanto ao seu futuro político. “Se eu conseguir ser reeleito vou dar graças a Deus. Se não for é por que Deus não quis. Eu entrego tudo a Ele que rege os nossos destinos”, disse ao jornalista Maurício Maron, durante entrevista concedida ao Jornal Bahia Online, quando falou sobre Brasília, as eleições 2010 e apresentou uma fidelidade pouco vista entre os colegas de profissão.

 

Neste encontro de mais de uma hora que manteve com o editor do JBO, o deputado Veloso também respondeu perguntas sobre a participação de uma funcionária do seu gabinete no esquema de vendas ilegais de passagens aéreas, descoberto no Congresso Nacional. Disse que logo que soube do crime exonerou a servidora e que não admite nenhuma ligação do caso com o seu mandato que, na sua opinião, merece nota 7 e foi prejudicado pela inadimplência da Prefeitura de Ilhéus com o governo federal. "Poderia ter trazido muito mais para Ilhéus se a prefeitura estivesse em dia com os seus compromissos", disse. A entrevista está imperdível. Confira.

 

 

No Congresso, poucos mandam e a maioria só obedece. Como tem sido para o senhor esta estreia na Câmara dos Deputados aos 71 anos de idade?

As pessoas perguntam como é que eu saí de Ilhéus, uma cidade do interior onde fui vereador - mas não fui prefeito, não fui nem deputado estadual e cheguei a Brasília. E eu sempre respondo que devo isso às graças de Deus e aos amigos. Não tenho nenhum problema de dizer que não sou do alto clero do Congresso. Nesta condição enxergo Michel Temer e outros poucos líderes partidários. Só eles falam. Mas também não me considero um deputado do baixo clero, que são os que ficam de braços cruzados, não fazem parte de nenhuma comissão e nunca falaram em plenário. Eu sou médio clero, respeitado por todos. Eu não posso falar mal de nenhum deputado da bancada baiana. É um respeito mútuo. Eu me adaptei muito bem a Brasília e estou indo à reeleição. Se eu conseguir ser reeleito vou dar graças a Deus. Se não for é por que Deus não quis. Eu entrego tudo a Ele que rege os nossos destinos.

 

Deputado, trata-se da vontade de Deus. Mas do povo também.

Eu me dediquei muito nestes três anos em Brasília em prol da região. Essa é a avaliação que o povo pode fazer.

 

“Não tenho nenhum problema de dizer que não sou do alto clero do Congresso.”

 

O senhor acredita que o ministro Geddel Vieira Lima vá manter a sua candidatura a governador da Bahia?

Geddel não vai dar a mão a palmatória. Vai até o fim. Geddel é um guerreiro, um ministro que trabalha. Agora ele enfrenta (Jaques) Wagner e Paulo Souto que têm trabalhos prestados a Bahia. Como membro do partido, o que posso te garantir é que estarei com Geddel até o fim. Perca ou ganhe vou estar com ele.

 

O senhor fala com um certo tom de quem já jogou a toalha...

.. Olha, não sei. Nós temos alguns bons exemplos de que nada se decide na véspera. O próprio Jaques Wagner passou por isso. Diziam que Paulo Souto ganharia no primeiro turno. Azevedo (prefeito de Itabuna), quem diria que ganharia a eleição? O próprio Geraldo (Simões) teve uma campanha que aparecia em quarto lugar e terminou ganhando a eleição. João Henrique, em Salvador... É prematuro dizer quem ganha ou não. A única certeza que tenho é que o governador não ganha no primeiro turno. Vai para o segundo turno. Só não sei se contra Geddel ou Paulo Souto.

 

As discussões públicas entre Geddel e Wagner deixaram feridas difíceis de cicatrizar. As eleições irão passar e a vida continua. O senhor acredita em alguma possibilidade de reconciliação entre Geddel e Wagner, PMDB e PT na Bahia?

A reaproximação em política nunca pode ser descartada. O próprio Geddel e outros que falaram tanto de Lula, estão ao lado de Lula. Política é dinâmica. Hoje estou com você, amanhã estou com outra pessoa. Quem diria que um dia Jabes Ribeiro (ex-prefeito de Ilhéus) fosse apoiar Ruy Carvalho (médico e candidato a prefeito pelo PT, adversário histórico de Jabes)? Agora, o que importa mesmo é que o político tenha personalidade e responsabilidade.

 

“Nós temos alguns bons exemplos de que nada se decide na véspera. O próprio Jaques Wagner passou por isso. Diziam que Paulo Souto ganharia no primeiro turno.”

 

Vou insistir na pergunta. O senhor está no PMDB que vai com Geddel até o fim ou no PMDB que pode pular do barco antes de outubro?

Vou até o fim. É da minha própria personalidade. Sou do bônus e do ônus.

 

O senhor acha que tem feito com o seu mandato o suficiente para o município de Ilhéus, sua principal base eleitoral?

Sinto profundamente, como ilheense que sou, apresentar emendas para vários municípios e não poder fazer mais por Ilhéus. O que sei é que a Prefeitura está inadimplente com os ministérios e impedida de receber recursos federais. O Infeti é um exemplo disso das dificuldades que tivemos que enfrentar e que não se refletem apenas na questão da inadimplência. De todos os credenciados, só não havia saído o Infeti para Ilhéus. Fui ao ministro e conversei com ele. E a resposta que eu tive era que a culpa não era minha. Que tudo que eu havia feito estava lá, correto. Mas o prefeito da época (Valderico Reis) se negava a dar a contrapartida do município. É por isso que está saindo agora em 2010.

 

“O próprio Geddel e outros que falaram tanto de Lula, estão ao lado de Lula. Política é dinâmica. Mas eu já decidi que vou com Geddel.”

 

A situação de inadimplência de Ilhéus prejudicou então o seu mandato.

Muito. Na época de Valderico, por exemplo, poderia ter vindo muita coisa. Tenho dito a Newton. Quero me aliar ao prefeito não para dar apoio a ele. Mas para trabalhar por Ilhéus. Ele faz a parte dele e eu faço a minha.

 

Nesta questão do Infeti, o senhor terminou provocando um desentendimento com a deputada do PCdoB, Alice Portugal, que reivindicava a “maternidade” do projeto para Itabuna...

... Alice achava que o Infeti deveria ser em Itabuna. Eu disse: Itabuna não. Se existe uma universidade no meio da estrada, vamos colocar lá perto, entre as duas cidades. Mas a relação com ela tem estado a melhor possível. Admiro muito a colega Alice Portugal como parlamentar. Deve ser reeleita por que ela trabalha muito. Temos tomado até alguns cafezinhos juntos. Netas horas chego pra ela e digo: Alice, preciso de você, me ajude nisso aqui. Ela me ajuda. E eu ajudo ela muito também.

 

“Sinto profundamente, como ilheense que sou, apresentar emendas para vários municípios e não poder fazer mais por Ilhéus. O que sei é que a Prefeitura está inadimplente com os ministérios.”

 

Humm... não sei não. O senhor acha mesmo que em política pode ser ajudado por adversários?

Vou repetir uma coisa. Eu sou respeitado por todos os meus colegas baianos da Câmara Federal. Não posso falar absolutamente nada de ACM Neto, Félix Mendonça. Enfim... de todos. Quando tenho um problema chego para todos eles e digo: pessoal, me ajude. E eles ajudam mesmo.

 

Como o senhor viu a decisão do prefeito de Ilhéus, Newton Lima, em exonerar mais de 260 pessoas que ocupavam cargos de comando na Prefeitura?

Não foi surpresa. As pessoas já comentavam estas mudanças. Mas secretário, prefeito muda na hora que achar que deve. O que não posso admitir é demitir servidor, pais de família, sem um motivo justo. É o pobre quem vai sofrer com esta história, o pai de família quem vai ficar na rua. É por isso que há tanto marginal nesse país. Sou contra demissão, sempre.

 

“Alice (Portugal) achava que o Infeti deveria ser em Itabuna. Eu disse: Itabuna não. Se existe uma universidade no meio da estrada, vamos colocar lá perto, entre as duas cidades.”

 

O senhor, como acaba de informar, é candidato à releição à Câmara dos Deputados. O seu filho é candidato a deputado estadual. Para o senhor não tem sido complicado construir alianças com outros candidatos que não estejam desconfiados de que o senhor vai jogar todo o seu prestígio para eleger o próprio filho?

Márcio (Veloso) é candidato a deputado estadual. Tenho minhas bases próprias e tenho combinado com outras pessoas, outros candidatos que me apóiam, que no lugar que eu estiver com eles não vou pedir um voto sequer pra Márcio.

 

O senhor acha que consegue convencer estas pessoas desta imparcialidade?

Não vai ter nenhum problema.

 

“Secretário, prefeito muda na hora que achar que deve. O que não posso admitir é demitir servidor, pais de família, sem um motivo justo.”

 

Deputado, uma funcionária do seu gabinete aparece envolvida no escândalo das passagens aéreas na Câmara. Passagens que eram para ser usadas por seu mandato que terminavam negociadas com terceiros (clique aqui e saiba como funcionava o esquema). O que o senhor sabe a respeito?

Primeiro é preciso reconhecer que essa senhora era uma excelente funcionária. Sinto falta da qualificação dela. Quando nós trouxemos ela para o gabinete, procuramos saber do deputado Sandro Mabel, com quem ela trabalhava, das suas qualidade e sobre os seus antecedentes. O que ele me disse é que poderia levar que eu não iria me arrepender. Foram dois anos e meio tranqüilos até que apareceu o problema das passagens aéreas.

 

Como o senhor chegou ao problema?

Na primeira vez perguntei a ela: Abigail, por que eu não viajo tanto e estou vendo aqui um uso grande de passagens? Alguém está usando estas passagens?

 

Elementar, deputado. Elementar...

...Ela me dizia: não, deputado. É por que às vezes se dá uma passagem para um amigo. O senhor também deu umas passagens por motivo de doença. Isso todo mundo faz e eu faço mesmo. Depois um amigo meu me disse: Veloso, quero te falar. Tem um problema em seu gabinete com uma pessoa que trabalha lá. Era ela.

 

“Abigail, por que eu não viajo tanto e estou vendo aqui um uso grande de passagens? Alguém está usando estas passagens?”

 

 

Mas se todo mundo tinha conhecimento. Por que não te disseram? Que amigo é esse?

Foi o que perguntei a esse amigo. E por que somente agora vocês vêm me dizer isso? A resposta que tive foi que a preocupação havia aumentado por que o assunto tinha vindo à tona. Chamei ela, contei tudo e a própria Abigail me disse que não havia nada de errado. Aí eu disse que iria afastá-la até a apuração, explicando, inclusive, que se ela continuasse no gabinete eu seria conivente com ela. Depois descobri que havia até falsificação de assinatura minha. Aquilo foi um choque pra mim.

 

E o que o senhor fez mesmo?

Exonerei Abigail. Ela está respondendo o processo dela e vamos esperar o resultado.

 

Avançou em algo?

Depois me disseram que é ela, a irmã, a mãe e o marido participavam do esquema. É uma quadrilha. Ela vendia passagens, cometia um crime, entendeu?

 

“Depois descobri que havia até falsificação de assinatura minha. Aquilo foi um choque pra mim.”

 

 

Deputado, que nota o senhor daria ao seu mandato?

Vocês que deveriam me avaliar. Eu só digo uma coisa: minha consciência está tranquila. Você é jornalista. Se eu der uma nota você pode discordar...

 

Mas eu não quero a minha nota. Quero uma auto-avaliação, quero que o senhor, se olhando no espelho, diga quanto merece.

... Pelo que fiz, dizem que fiz muita coisa que muitos outros que passaram por Brasília não fizeram... eu diria que sete é um bom tamanho.

 

O senhor defende uma candidatura própria para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou uma aliança com o PT?

O PMDB é um partido que tem um tamanho suficientemente grande para vislumbrar uma candidatura própria. Mas tendo que ter o vice de Dilma (Roussef), do PT, enxergo como o melhor nome, o nome do deputado Michel Temer, sem medo de errar.

 


Raymundo Veloso

Crédito: Ascom

 
Mais Notícias
   Osvaldo Barreto: Estamos perdendo muitos alunos da rede pública para as drogas
   "Não temos dinheiro. O que a gente recebe, mal dá para sobreviver"
   Borges conosco enfraquece ainda mais os nossos adversários, diz Caetano
   O PV de Ilhéus não apoia de jeito nenhum um candidato melancia, diz Robson Melo
   O estudo do Evangelho traz a felicidade, diz espírita
   Direita chantageia governo da Bahia, diz Zezéu Ribeiro
   Ídolo Oscar fala sobre as Olimpíadas e corrupção no Brasil
   Para Bassuma, o PT está se auto-flagelando e sem alma
   Mais polêmica: O Bahia Online localizou o autor do banner do beijo gay
   "Queremos vender serviço e não viver de mensalidades", afirma presidente da CDL




 
Newsletter
Receba notícias em seu e-mail.
 






Opinião
Início   I   Quem Somos     I    Nossa Equipe    I    Anuncie    I    Fale Conosco



Jornal Bahia Online2010
©Todos os direitos reservados.
    Programação: L2Web.com.br        Design: www.conceitoexecutivo.com