Início   I   Quem Somos     I    Nossa Equipe    I    Anuncie    I    Fale Conosco
 
 
Notícias
 
Tempero do Bahia
 
Exclusivo
 
Editorial
 
Meio Ambiente
 
A foto que é fato
 
Entrevistas
 
Cultura
 
Política
 
Bahia
 
Cidades
 
Economia
 
Esporte
 

Últimas Notícias

Artigos
Isaac Albagli
Leonardo Pinheiro
Daniela Galdino
Leonardo Pinheiro
Adylson Machado

Expediente
Fale Conosco
Equipe
Como anunciar


Entrevistas
Para Bassuma, o PT está se auto-flagelando e sem alma


Luiz Bassuma

Crédito: JBO

 

A história do deputado federal Luiz Bassuma se confunde com a própria história do PT na Bahia. Mas agora os laços umbilicais acabam de ser rompidos como aquele difícil momento em que pais e filhos resolvem que é chegada a hora de cada um construir o seu próprio caminho e escrever uma nova história.

 

Os dois divergem sobre um polêmico tema. De um lado, um espírita convicto que é a favor da vida e de políticas públicas para prevenir a gravidez indesejada. De outro, um partido político que, através de uma resolução, passou a defender a legalização do aborto. Como não se enquadrou às diretrizes do partido, Bassuma acabou suspenso. Poderia recorrer. Mas preferiu sair. Segundo ele, “em paz e muito bem resolvido”.

 

Nesta entrevista exclusiva concedida ao editor do Jornal Bahia Online, Maurício Maron, Luiz Bassuma abre o jogo e cria muita polêmica. Critica o PT e diz que o partido anda se “auto-flagelando”. Fala por que decidiu se filiar ao Partido Verde, a nova casa de diversos ex-petistas insatisfeitos e chega a causar uma grande polêmica quando afirma que o governador Jaques Wagner “é o menos ruim” quando comparado ao ministro Geddel Vieira Lima e ao ex-governador Paulo Souto, os outros dois prováveis candidatos à sucessão de 2010.

 

Bassuma começou a se interessar pela política em 88, trabalhando na Petrobrás. E se notabilizou na vida sindical por ter sido o único gerente da empresa a não permitir a repressão aos trabalhadores que participavam da primeira greve ocorrida após a ditadura militar. Em 89, fundou um projeto social e em 96 elegeu-se vereador em Salvador. Com pouco mais de 15 mil votos, chegou em 1998, à Assembléia Legislativa do estado e em 2002, notabilizando-se pela luta contra os cartéis de combustíveis, elegeu-se deputado federal. Em 2006 foi reeleito. E decidiu, agora, não disputar mais uma reeleição.

 

Além de deputado federal e dedicado a projetos sociais, Luiz Bassuma ainda arranja tempo para outra paixão. Ele é autor de um espetáculo teatral denominado “Os Pacifistas”. O espetáculo montado a partir do ano passado reúne quatro personagens marcantes da História Universal: Sócrates, Chico Mendes, Luther King Júnior e Gandhi. E Bassuma interpreta os quatro personagens. “É um tributo que faço a grandes homens”.

 

Esta entrevista concedida ao JBO é histórica. Acontece um dia depois de assinar a ficha de filiação ao Partido Verde. A primeira concedida a um veículo de comunicação como novo militante do PV na Bahia.

 

Confira.

 

O senhor foi processado pelo Partido dos Trabalhadores por não defender o abordo. E foi condenado à suspensão dos direitos políticos durante um ano. Fale um pouco desta história.

O processo levou um ano na Comissão de Ética do PT e resultou no diretório me suspendendo por um ano. Foi uma postura que tenho a partir de 2005, quando comecei a cuidar da defesa da vida. Foi através da minha atuação no Congresso Nacional que a gente conseguiu impedir a legalização do aborto no Brasil. O que defendemos é que o Estado tenha políticas públicas para prevenir a gravidez indesejada. Isso é inteligente, barato, seguro. É planejamento familiar.

 

Mas sua tese foi por água abaixo. Digamos que o partido não se ‘emprenhou’ pelos ouvidos.

O que não podemos é utilizar o aborto como política pública. Com isso comecei a ter grandes problemas no partido. Em 2007 o PT aprovou uma resolução por maioria no Congresso Nacional a favor da legalização do aborto. Olhe que minha militância se deu desde 2005 quando o Congresso quase aprova esta questão. Só não aprovou por conta de um voto. E minha participação foi decisiva. Então vamos lá: em 2007 o PT aprova o contrário e, em 2008, abre um processo contra mim. O PT alega neste julgamento que a legalização do aborto está acima do artigo 67 dos seus Estatutos, compatível com a Constituição Brasileira onde diz que em questões éticas, filosóficas e religiosas o parlamentar tem liberdade para expressar sua opinião. E sou da seguinte opinião: aquilo que acredito e que acho que é melhor me faz respeitar a opinião de quem pensa ao contrário. Falo em respeitar. Mas eu tenho que ter plena liberdade para exercer a minha opinião.

 

“O que defendemos é que o Estado tenha políticas públicas para prevenir a gravidez indesejada. Isso é inteligente, barato, seguro”.

 

O senhor foi ao limite para ter esta liberdade de expressão...

... inclusive no meu pronunciamento para o Diretório Nacional do partido, lembrei que Aristóteles 2.500 anos atrás disse uma frase que para mim é emblemática na minha vida: “o homem livre é senhor da sua vida e escravo apenas da consciência”. Com todo respeito que tenho ao PT posso tranquilamente dizer que entre o Partido dos Trabalhadores e a minha consciência eu fico com a segunda opção. Porque da mesma forma que acho que não existe “meia” vida, não pode existir “meia” liberdade.

 

“Aquilo que acredito e que acho que é melhor me faz respeitar a opinião de quem pensa ao contrário”.

 

Daí a decisão de sair do partido.

Ao decidirem pela suspensão de 12 meses fiquei imaginando: tenho dois caminhos em minha vida. Ficar no PT, já que não seria mesmo mais candidato à reeleição, ou sair e buscar uma nova caminhada. Aí pensei. Se eu ficar no PT vou estar sendo injusto. Por que continuaria para provocar um tensionamento e continuar com uma crise na sigla afetando a todo mundo. Nestas horas não temos como separar o joio do trigo. A última coisa que quero em minha vida é cometer injustiça. Decidi me desfiliar do Partido dos Trabalhadores e me filiar ao PV. Eu e minha esposa. Ela é pré-candidata a deputada federal.

 

“Da mesma forma que acho que não existe “meia” vida, não pode existir “meia” liberdade”.

 

O senhor não é mais candidato e ela assume o seu projeto político...

... é uma decisão de movimento, da sociedade civil organizada. O Movimento Nacional Brasil Sem Aborto que é uma ONG que opera em 15 estados do Brasil, tomou uma importante decisão. O Congresso Nacional hoje tem 513 deputados federais. Deste total, 45 deputadas. Uma minoria. Só que defendendo esta nossa causa, a luta contra a legalização do aborto, apenas cinco. E das cinco não consegui convencer nenhuma a assumir o desgaste que eu assumi de liderar esta causa. Se eleita, minha esposa dará sequência ao projeto.

 

“Não quero que todo mundo pense igual a mim. Mas eu quero ter a liberdade de expressar o que penso e acredito”.

 

E como foi que se deu a escolha do PV. Dizem que o PV é o partido da moda, dos descontentes do PT.

A entrada de Marina Silva no partido para mim foi fundamental nesta decisão. A Marina fez uma cobrança ao PV. E foi isso que o PT acabou de rasgar da sua história. Falo com tristeza: o PT está perdendo a sua alma. O partido não pode fechar questões de princípios religiosos, ético e filosóficos. E o PV está incorporando esta liberdade às suas cláusulas. É como Marina diz: ela é contra a legalização do aborto, mas não pode impedir que as pessoas do PV que pensem ao contrário deixem de ter a liberdade de expressar a sua opinião. Repito: eu não quero que todo mundo pense igual a mim. Mas eu quero ter a liberdade de expressar o que penso e acredito.

 

Quando efetivamente começou o descontentamento com o PT?

Isso já vem desde o processo do Mensalão e passou fundamentalmente pela crise do Senado onde o PT se  ajoelhou de maneira subserviente aos interesses do Lula para apoiar Sarney por causa do PMDB. E o PT não poderia se prestar a este papel. Se auto-flagelou e matou parte da sua alma. E que alma é esta? Primeiro é preciso dizer que o PT não é partido nem de anjo nem de santo. Aliás, nenhum partido é. Todos os partidos são feitos de gente, homens e mulheres. E como toda instituição é falível. Agora é preciso lembrar que o PT surgiu na história da política brasileira como um sonho de uma parcela expressiva da sociedade que pensava que com o partido seria possível fazer política com ética. E esse é um sonho que o PT está enterrando. É doloroso.

 

Se o senhor não é candidato a nada, porque então se filiar a uma sigla política?

Quero ajudar, dar minha contribuição a esse partido. Por isso me filiei sem ser candidato a nada.

 

“O PT surgiu na história da política brasileira como um sonho de uma parcela expressiva da sociedade que pensava que com o partido seria possível fazer política com ética. E esse é um sonho que o PT está enterrando”.

 

O senhor, num trecho acima, falou que justiça é fundamental, que odeia injustiça. O senhor acha que o PT foi injusto com o senhor?

Aí vou citar Sócrates, que é um personagem que interpreto no teatro. É por isso que estou com o cabelo cumprido (risos). Usei peruca um ano. Agora não preciso mais (mais risos). Tem um trecho do julgamento dele no espetáculo onde ele diz que “o importante na vida é não cometer injustiças mesmo em retribuição a uma injustiça recebida”. Mas o critério de justiça é muito subjetivo. A sua consciência é diferente da minha. Tenho que seguir a minha consciência. E tenho que estar em paz com a minha consciência, de que não cometo a injustiça. Então para os meus julgadores eu disse: estou saindo do partido em paz. Muito bem. Não saio sofrendo por que dei o melhor de mim e a minha intenção sempre foi a de ajudar.

 

O senhor pensou em recorrer ao Supremo Tribunal Federal para garantir a permanência no Partido dos Trabalhadores. Por que desistiu?

Estava com o processo todo pronto. Mas recorrer significaria continuar o enfrentamento. E com isso o PT iria “sangrar”, concorda? Tem milhares de filiados do PT que pensam como eu. E sabe qual o desafio que faço ao PT? Por que não fazem um plebiscito? Não fazem o PED que é um instrumento rico da democracia interna do partido para debater e escolher democraticamente as lideranças? Por que não fazem um plebiscito com a base do PT e põem os filiados para marcar com um xis se são contra ou a favor do aborto? Fiz esse desafio. Não tiveram a coragem de fazer por que sabem que a base petista ficaria ao meu lado e não ao lado dos que me julgaram. Foi uma minoria que tem poder na cúpula mas não tem poder nas bases. Tem coisa mais democrática do que isso, ouvir os filiados?

 

E se o senhor perdesse a votação?

Se a maioria dos filiados dissesse que era a favor, aí sim, ou eu mudaria minha opinião ou sairia do partido. Seria coerente.

 

“Por que não fazem um plebiscito com a base do PT e põe os filiados para marcar com um xis se é contra ou a favor do aborto. Fiz esse desafio. Não tiveram a coragem de fazer por que sabem que a base petista ficaria ao meu lado e não ao lado dos que me julgaram”.

 

O senhor chega ao PV, onde tem influentes nomes no Governo da Bahia mas também é formado por ambientalistas. Escapa da discussão do aborto e chega para discutir Porto Sul. Se posicionar. Enfim, qual a sua reflexão sobre o Projeto. Como membro do PV e como deputado federal?

Esse é um ponto que não terei problema. Se tem uma coisa que nunca abri mão na minha vida foi falar o que penso e acredito, mesmo quando contraria interesses e que posso pagar preço por isso. Neste caso, na votação que teve recentemente no Congresso, votei a favor do projeto. A questão ambiental é o desafio fantástico para o PV. As pessoas que estão se posicionando contra têm argumentos fortes, importantes e legítimos e que têm que ser levados em consideração. Da mesma forma, quem defende a chegada deste complexo. É uma vocação natural da região. Por isso digo que temos que ter a sabedoria de conciliar as divergências para uma convergência que seja boa para todos. Desenvolvimento sustentável na prática. Onde você não impede o progresso e mantém balizas ambientes e sociais, minimizando ao máximo o impacto ambiental. A vida humana é necessariamente poluidora e agressora ao meio ambiente. O que temos que fazer é usar a inteligência para minimizar estes impactos.

 

Como o senhor analisa este momento do PV na Bahia, de novas e importantes adesões e filiações.

Momento especial. A entrada de Marina no PV dá ao partido uma alternativa de poder no Brasil. Não é mais para ser coadjuvante. Isso serve para o Brasil e serve para a Bahia também. Não tenho dúvida de que vamos enxergar em algum momento que o PV da Bahia terá que ter uma alternativa para a sociedade. E essa alternativa não tem que ser necessariamente só (Jaques) Wagner, Geddel (Vieira Lima) e (Paulo) Souto. O crescimento de Marina vai levar o PV da Bahia a pensar grande. Por que vai ter o dever de se posicionar junto à sociedade baiana. Uma parcela desta sociedade diz hoje que DEM (Partido dos Democratas) nem pensar. Geddel me desculpe. Sempre fui contra a permanência dele no governo Wagner. São projetos distintos. Geddel é o carlismo rejuvenecido com as mesmas práticas. E Wagner tem um descontentamento enorme na sociedade baiana. Então quem está neste processo, hoje, vai votar em qual dos três? Tá um vazio, não está? A juventude quer ter um ideal, um sonho, uma esperança. Era o PT. Hoje não tem nada. O PT envelheceu precocemente. O PV pode ocupar este espaço. É um desafio e quem tem medo de desafio não pode estar na política.

 

O senhor não está sendo muito rigoroso com o governador de quem o seu novo partido é aliado?

Tínhamos grandes expectativas do governo do PT. Olhe que eu estou falando: não é da pessoa Wagner. É do governo do PT. Todo mundo sabe que ninguém vai ao governo sozinho. É preciso aliança. Tudo bem, normal. Só que quem ganhou a eleição foi um governador do PT então é o partido que tem que conduzir o processo. O Wagner tem acertos – e bons acertos – mas tenho grandes divergências da condução política do governo. Administrativamente acho que ele tem que reforçar o controle interno. Todo governo de grande aliança está sujeito a isso. Você tem quem ter uma espécie de CGU (Controladoria Geral da União) que funcione para fazer auditagem e evitar que o câncer da corrupção que está instalado em todas as instituições brasileiras chegue até o governo do estado. Ele foi tímido nisso. E convive com coisas que acho muito ruim da política. Eu me sinto incomodado como ex-petista, deputado federal e como cidadão. Por isso que digo: existe um espaço na política baiana. E vou propor esta ocupação aos companheiros do PV. Como não sou candidato a nada estou muito a vontade para conduzir isso.

 

“Uma parcela da sociedade diz hoje que DEM nem pensar. (...) Geddel é o carlismo rejuvenecido com as mesmas práticas. E Wagner tem um descontentamento enorme na sociedade baiana. (...) Tá um vazio, não está?”

 

Se a eleição fosse hoje, em quem o senhor votaria para governador.

Dentre os que estão aí, Wagner. Mas você acha que é 100 por cento? Não, não é 100 por cento. Eu tenho grandes divergências. Wagner é o menos ruim dos três. E isso é uma coisa que empobrece a política. Precisamos é ter a opção do melhor.


Luiz Bassuma

Crédito: JBO

 
Mais Notícias
   Osvaldo Barreto: Estamos perdendo muitos alunos da rede pública para as drogas
   "Não temos dinheiro. O que a gente recebe, mal dá para sobreviver"
   Borges conosco enfraquece ainda mais os nossos adversários, diz Caetano
   O PV de Ilhéus não apoia de jeito nenhum um candidato melancia, diz Robson Melo
   O estudo do Evangelho traz a felicidade, diz espírita
   Sou do bônus e do ônus. Vou até o fim com Geddel, diz deputado Veloso
   Direita chantageia governo da Bahia, diz Zezéu Ribeiro
   Ídolo Oscar fala sobre as Olimpíadas e corrupção no Brasil
   Mais polêmica: O Bahia Online localizou o autor do banner do beijo gay
   "Queremos vender serviço e não viver de mensalidades", afirma presidente da CDL




 
Newsletter
Receba notícias em seu e-mail.
 






Opinião
Início   I   Quem Somos     I    Nossa Equipe    I    Anuncie    I    Fale Conosco



Jornal Bahia Online2010
©Todos os direitos reservados.
    Programação: L2Web.com.br        Design: www.conceitoexecutivo.com